Passado mais de uma semana
desde a sua estreia e tendo eu a possibilidade de assistir o filme mais de uma
vez, me sinto mais a vontade para realizar esta crítica. Eis que Capitão América: Guerra Civil, o décimo-terceiro
filme da Marvel Studios e de seu Universo Cinematográfico, é empolgante,
divertido e tudo o mais que se espera de um filme da Casa das Ideias.
Livremente inspirado na saga Guerra Civil,
o filme é tanto uma continuação de Vingadores:Era de Ultron como de Capitão
América: O Soldado Invernal e me atrevo a dizer que também poderia ser facilmente
o Homem de Ferro 4, visto a
importância e o desempenho de Robert Downey Jr e seu Tony Stark na trama deste.
A história é bem simples, após uma missão dos
Vingadores na Nigéria onde ocorrem várias baixas civis os governos do mundo,
através da ONU, decidem que a super-equipe liderada por Steve Rogers/Capitão
América (Chris Evans) precisa ser regulamentada por uma série de normas, os
Acordos de Sokovia, e que caso não aceitem a imposição sofreram as
consequências cabíveis. O Capitão se posiciona contra enquanto que Tony Stark/Homem
de Ferro se posiciona a favor por se sentir culpado pelas vidas que não pôde
salvar. Não bastasse o tratado dividir os Vingadores, o passado de Steve volta
para atormenta-lo mais uma vez quando Bucky Barnes/Soldado Invernal passa a ser
caçado por conta de um ataque terrorista. Em terceiro plano e não menos
importante por isso o Coronel (?!) Helmut Zemo (Daniel Brühl) está decidido a
obter uma importante informação para executar um plano que pode destruir de uma
vez os Heróis Mais Poderosos da Terra.
Muita coisa acontece ao
longo do filme, mas os irmãos Joe e Anthony Russo conseguem manter tudo bem
amarrado e equilibrado. Os Irmãos Russo, que já haviam dirigido o filme
anterior do Sentinela da Liberdade, se provam um grande achado da Marvel. Eles
sabem dosar bem as cenas ação, humor e drama. As piadas são bastante fluídas e
todas funcionam. Apesar de serem os alívios do filme, não tiram o peso das
cenas. A ação não decepciona e alterna boas sequências em planos fechados e
abertos, sempre respeitando a geografia da cena. Vide por exemplo à sequência
na escadaria ou mesmo a do aeroporto. As cenas de luta são extremamente bem
coreografadas e funcionam narrativamente e não apenas como distração. Se alguém
tinha dúvida sobre o Pantera Negra, ela não existe mais. O personagem
protagoniza algumas das melhores lutas do filme. O mais incrível foi ver que
apesar de ter tantos personagens em tela existe uma boa harmonia em relação a
suas participações e motivações. Os poderes e habilidades de todos são muito
bem utilizados. Há uma cena envolvendo o Homem-Formiga, o Homem-Aranha e uma
referência a O Império Contra-Ataca
que me fez dar um sorriso de orelha a orelha tamanha a satisfação. O roteiro
justifica não apenas as ações, mas as consequências. Apresenta personagens
novos de forma dinâmica e não perde tempo revisitando informações já
disponibilizadas em outros filmes. Com isso o filme ficou dinâmico e apesar da
duração o tempo não é sentido, jamais sendo cansativo ou monótono. O roteiro
acerta ainda em não tomar partido na “guerra” de modo que você enxerga os pontos
positivos e negativos em ambos os lados. Não existe lado certo e errado, é tudo
uma questão de ponto de vista. A sensação que fica é que Vingadores: Guerra
Infinita estará realmente em boas mãos. Apesar disso, nem tudo é perfeito e o
filme tem alguns efeitos que podiam ser melhor finalizados. Algumas decisões de
roteiro são questionáveis, nada que te tire do filme, mas se for parar pra
pensar se percebe que se fosse de outro modo teriam ficado mais críveis. Não
entrarei aqui em detalhes, pois teria de dar uns bons spoilers do filme. O 3D
aqui é totalmente desnecessário e mais uma vez serve apenas para encarecer o
preço ingresso e tornar as cenas mais escuras, apesar de a fotografia não ser
tão afetada por ele.
O elenco está bem a
vontade em seus papéis. Todos tem algum destaque que fazem suas participações
serem bem-vindas a produção. Chris Evans, que nunca foi um ator excelente, está
perfeito como Steve Rogers. O ator realmente abraçou o personagem e está com
uma performance mais madura. Ele realmente convence como Capitão América. Mas
se tem alguém que convence é Downey Jr. Ele prova neste filme que é ainda um
bom ator e sua atuação é a melhor que ele já fez vivendo o personagem. Ele
transmite toda a dor, o peso e a angústia que vestir a armadura lhe trouxe.
Chadwick Boseman e Tom Holland, que debutam como T’Challa/Pantera Negra e Peter
Parker/Homem-Aranha, foram corretamente escalados e convencem como seus
respectivos personagens nos deixando com vontade de ver mais deles. O Zemo de
Brühl é um bom vilão e suas motivações são bem justificadas. Sua atuação é
excelente e teria tudo para ser um vilão inesquecível, não fosse o nome que
carrega. Melhor seria se o personagem, tal qual o agente Phil Coulson (Clark
Greg), tivesse sido criado exclusivamente para o filme. A descaracterização do
personagem talvez seja justificada no futuro, afinal uma frase do personagem me
faz acreditar que seu objetivo final é ainda maior e que talvez o personagem
venha a ter um maior destaque em outras produções. Mas como um filme tem de se
justificar por si e não por possíveis coisas que talvez possam vir a acontecer
numa provável continuação em um futuro hipotético já o fez não ser o
suficiente, tirando em parte o peso que poderia ter sido alcançado. O já
tradicional cameo de Stan Lee é o que
se espera, rápido e engraçadinho.
O filme é bem amarrado e
possui em seu arco um começo, meio e fim satisfatório. Sim, há um cliffhanger para produções futuras e
mais duas cenas pós-créditos que empolgam, sobretudo a primeira. Apesar de ser
um filme muito bom, não é o melhor da Marvel. É superior a Vingadores: Era de Ultron, mas perde em qualidade para Capitão América: O Soldado Invernal (que
mantém o título de ser o melhor da Marvel Studios) e ao primeiro Vingadores e talvez até mesmo ao
primeiro Homem de Ferro (mas isso eu
ainda não decidi). O que posso afirmar é que a Fase 3 começou com o pé direito
e que chegue logo novembro que eu quero ver o Doutor Estranho.














